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Dispomos de uma vasta equipa de Psicólogos especializados em Sinistros Auto, Traumatologia, Amaxofobia e Acidentes de Trabalho, que além de poderem intervir diretamente nas intervenções “FISA” e dar apoio a outros Processos em curso, destinam-se igualmente ao serviço de “Apoio Psicológico” que poderá ser disponibilizado através de contratualização pontual, quer na vertente de “Avenças de Prestação de Serviços”, nomeadamente:

 

A nossa equipa de Psicólogos, colabora igualmente em ações de formação de carácter genérico, “Work Shops”, e formação em Acidentologia através do IFR – Instituto de Investigação e Formação Rodoviária, onde além de lecionarem, são os responsáveis pelos conteúdos programáticos e pedagógicos do respetivo curso.

 

Psicologia do Tráfego Rodoviário e Avaliação Psicológica a Condutores


Impulsionada nos últimos anos por diversos investigadores a nível mundial, a Psicologia do Tráfego Rodoviário é um recente ramo da Psicologia em Portugal, sendo que a sua área de intervenção está impretivelmente centrada nas avaliações psicológicas exigidas por lei para a obtenção e revalidação de cartas de condução ou de licenças profissionais, mas também, e numa perspetiva mais recente, na intervenção psicológica na segurança rodoviária, na reabilitação de condutores e no acompanhamento de psicológico de condutores sinistrados.
Deste modo, a Psicologia do Tráfego não deverá ser considerada como uma ciência calafetada que visa apenas a avaliação das habilidades necessárias para a condução, mas sim como um campo de investigação, que procura analisar a tarefa da condução de uma forma esmiuçada, ou seja, que procura estudar o comportamento dos condutores e todos os processos psicológicos intrínsecos à sua conduta e atitudes no ambiente rodoviário.
Assim sendo e ao longo das últimas décadas foram surgindo pressupostos comuns das várias teorias psicológicas, que nos permite afirmar que a Psicologia do Tráfego estuda de forma científica o comportamento e os processos mentais de cada condutor, permitindo a  elaboração toda a configuração de todo o ambiente rodoviário e os respetivos esquemas cognitivos necessários na tarefa da condução. 
Dos trabalhos mais recentes deste ramo da Psicologia, surge com maior destaque os aspetos  relacionados com a avaliação das aptidões necessárias à condução, à relação entre comportamento humano e aumento/ diminuição de risco de acidente e na formação e reabilitação de condutores.
Prevista pela lei portuguesa a Avaliação Psicológica realizada a condutores e/ou candidatos a condutores preenche obrigatoriamente diversos pressupostos, nomeadamente, análise cognitiva e de personalidade, mas também dos fatores psicofísicos implícitos na tarefa da condução (acuidade visual, auditiva e destreza motora). A finalidade deste complexo processo de avaliação visa a identificação das capacidades cognitivas e as características do comportamento de um indivíduo através da análise e observação psicológicas, provenientes da entrevista clínica e da aplicação de provas psicométricas aferidas para a população em estudo.
O resultado final apresenta, em carácter geral informações acerca das habilidades do examinado (como por exemplo: aptidões preceptivas, cognitivas e motoras), mas também dados acerca da sua personalidade, motivações, atitudes e representações. 
Por fim cabe ao psicólogo responsável pela avaliação deferir, após a determinação das aptidões individuais e do perfil de personalidade, orientações com vista à adaptação funcional do indivíduo face à tarefa da condução que irá desenvolver ou que desenvolve.
A Avaliação Psicológica pode ainda ser mais complexa quando nos reportamos ao grupo de condutores infratores, pois a sua intervenção é mais extensa (devido à possibilidade de fatores psicopatológicos contendidos), mas também pelo esboço de um plano de reabilitação orientado na informação e discussão de situações relacionadas com o incumprimento das normas de circulação rodoviária e de cidadania, bem como de comportamento a adotar no contexto rodoviário. A concretização deste acompanhamento implica uma ausência de um total bem-estar bio-psico-emocional, sendo a psicoterapia o meio privilegiado para orientar o indivíduo no percurso da recuperação do bem-estar.
Mas o papel do psicólogo pode ir ainda mais longe. Com o passar do tempo reconheceu-se a importância da intervenção na prevenção de comportamentos de risco na condução, , ou seja, trabalhar a problemática antes mesmo que a mesma surja e não apenas após a manifestação da mesma.
Na tipologia clássica da prevenção, destacam-se três níveis: prevenção primária; prevenção secundária; e prevenção terciária. A prevenção primária refere-se a intervir antecipadamente na manifestação do problema com o intuito de evitar que o mesmo ocorra criando condições para a adoção de comportamentos adequados, ou seja; para que tal aconteça é necessário motivar o indivíduo para alterar o seu estilo de vida na direção desejada por meio da educação e informação. A prevenção secundária tem como intuito tratar o problema depois do mesmo surgir e ser identificado, desta forma pretende controlar a sua evolução após a sua ocorrência, este tipo de prevenção é por vezes denominado de tratamento. A prevenção terciária tem como intuito minimizar a duração e o grau de intensidade de uma determinada perturbação através do seu tratamento e prevenção de recaídas.
Ao analisarmos cada um dos níveis de prevenção citados, conclui-se que tanto a tipologia secundária como a terciária são mais direcionadas para o tratamento do que na prevenção em si, pois ocorrem após a manifestação da problemática.
A educação rodoviária deve ser, então, assente num processo pedagógico que faculte ao indivíduo as motivações, atitudes, conhecimentos e competências imprescindíveis à interiorização e enraizamento de padrões comportamentais pautados pela segurança. Deve constituir um processo incessante e conduzido nas diferentes fases de desenvolvimento da pessoa desde a idade pré-escolar, passando pelos vários níveis de escolaridade, e prolongar-se ao longo das diversas etapas da sua vida como condutor.
Pela amplitude do seu âmbito é inquestionável que a integração da educação rodoviária no processo educativo global não pode prescindir de uma ação concertada de diversas instituições e agentes com atividades nesta área, a começar na família e na escola. Nesta perspetiva, a educação rodoviária só pode ser bem sucedida se integrada no contexto de formação global.